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CARCINOMA HEPATOCELULAR EM CIRRÓTICOS OBESO-MÓRBIDOS

 

Silva AO, Wahle RC, Souza EO, Rocha BS, Melo ES, Ribeiro CMF, Néspoli PR, Cardozo VDS, Dazzi FL, D'Albuquerque LAC


CETEFI – Centro Terapêutico Especializado em Fígado, Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo - SP

Introdução: Cerca de 35-40% dos obesos mórbidos apresentam hipertransaminasemia, conseqüência de esteato-hepatite ou cirrose não alcoólica. Desses 56% por longo prazo evoluem com hipertensão portal, enquanto 11% desenvolvem carcinoma hepatocelular exteriorizável em geral, sob forma de múltiplos ou grandes nódulos, manipulados terapeuticamente por quimioembolização intra-artéria hepática e ou transplante de fígado.

Material: Composto de 5 pacientes, todos do sexo masculino, obesos mórbidos e com carcinoma hepatocelular. Características clínicas deles encontram-se expostas na Tabela 1.


Tabela 1 - Carcinoma hepatocelular em cirróticos com obesidade mórbida

Paciente
Idade
Hipertensão Arterial
Diabetes Mellitus

IMC

Padrão do Carcinoma Hepatocelular
Terapêutica
Evolução
FMS
79
+
+
32
Multinodular difuso
Quimioembolização intra-artéria hepática

Óbito

KSS
59
+
+
45
Multinodular difuso

Transplante de

fígado intervivos

Óbito 10

dias após
Síndrome Hepatorenal
ART
64
+
-
32

3 nódulos lobo direito

Transplante de

fígado intervivos

Óbito 15

dias após
Síndrome Hepatorenal
GSD
71
+
+
42

Nódulo 8 cm Trombose venosa portal

Fora de esquema

terapêutico

Óbito 30

dias após
Síndrome Hepatorenal
JMBM
59
+
+
44

Multinodular difuso Trombose venosa portal Trombose veia cava inferior

Fora de esquema

terapêutico

Acompa-nhamento

Coronariopatia

Comentários: Atribui-se que tal evolução nefasta, deva-se à exposição crônica dos hepatócitos a radicais livres de 0 2 , a citocinas (interleucinas 1 e 6, fator de necrose tumoral), fatores de transcrição (TGF b e outros), todos promotores de expansão de populações de células progenitoras com diminuição das ovais que associadas a mutações do DNA e instabilidade cromossomal presentes nesses portadores de graves comorbidades. Como conseqüência, cursa com elevados índices de morbi-mortalidade precoce que apresentam, mesmo quando conduzidos pelo transplante de fígado.

PERFIL DO PROGRAMA DE TRANSPLANTE DE FÍGADO INTERVIVOS NO TRATAMENTO DE PACIENTES COM VÍRUS DA HEPATITE C

Silva AO, Gilberto Perón Jr G, Ribeiro Jr MAF, Gonzalez AM, Mancero JMP, Larrea FIS, Copstein JLM, Cardozo VDS, Rocha BS, Wahle RC, Souza EO, Vasconcelos AB, Goulart FS, Néspoli PR, D'Albuquerque LAC  

Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: O transplante de fígado representa a única forma de terapêutica curativa para pacientes com cirrose pelo vírus da hepatite C, em estádio avançado, sem ou com carcinoma hepatocelular. Carência na oferta de fígados originários de doadores cadáver, levou a que estabelecêssemos um programa de transplante de fígado valendo-se de doadores adultos vivos, de lobo direito. Nossa preocupação nesse trabalho será definir nossos resultados e o perfil desse programa antes e após o estabelecimento dessa metodologia.

Material: Entre 11/08/93 e 24/06/06, 213 pacientes foram tratados pelo transplante de fígado, 84 portadores do vírus da hepatite C, sem e com carcinoma hepatocelular. Foram divididos em 3 grupos de estudo (GE), assim constituídos: GE1 composto de 12 assim tratados antes do programa de transplante de fígado intervivos; GE2 por 40 tratados valendo-se de doador cadáver e; GE3 por 32 tratados pelo transplante de fígado intervivos. Buscou-se definir o perfil evolutivo dessas indicações nesses períodos.

Resultados: Expressos na Tabela 1.

Tabela 1 – Perfil do programa de transplante de fígado intervivos no tratamento de pacientes com vírus da hepatite C

 
Período
Meses
N
Expressões da Doença pelo VHC
Sem Carcinoma Hepatocelular
Com Carcinoma Hepatocelular
(N)
(%)
(N)
(%)
GE1
Transplante de Fígado Cadáver Pré instalação do programa do transplante de fígado intervivos
Entre 1108/93 a 20/09/95
68
12
11
91,7
12
8,3
GE2
Transplante de Fígado Cadáver pós instalação do programa do transplante de fígado intervivos
Entre 20/03/99 a 25/06/06
66
40
29
72,5
11
27,5

GE3
Transplante de Fígadoi Intervivos

Entre 20/3/99 a 25/06/06
66
32
17
53,4
14
46,4

 

Conclusão: Pequena oferta de órgãos e elevada demanda de incluídos com cirrose pelo vírus da hepatite C, sem ou com carcinoma hepatocelular, tem causado no Brasil, elevados índices de mortalidade de pacientes em lista de espera. Ampliação de atendimento a eles ocorreu, sobretudo com o implante do programa de transplante de fígado intervivos. Isso comprova quando cotejados os grupos GE1, GE2 e GE3, os quais em períodos de meses semelhantes tiveram ampliado seu atendimento, sobretudo no que diz respeito aqueles mais graves, portadores da neoplasia primária do fígado (8,3%x27,5%x46,4%). Tornou-se possível assim atender a demanda de pacientes excessivamente graves, gerados por essa grave infecção epidêmica no país.

ANÁLISE DAS CAUSAS E SOBREVIDA DE PACIENTES SUBMETIDOS À RE-TRANSPLANTE DE FÍGADO, VALENDO-SE DE DOADORES ADULTOS CADÁVERES OU VIVOS  

Silva AO, Copstein JLM, Perón Jr G, Ribeiro Jr MAF, Gonzalez AM, Mancero JMP, Larrea FIS,

Cardozo VDS, Rocha BS, Wahle RC, Souza EO, Néspoli PR, D'Albuquerque LAC  

Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: Em 156 meses, foram realizados 234 transplantes de fígado, 160 de doadores adultos cadáveres e 74 de doadores adultos vivos de fígado, desses 16 (6,83%) foram re-transplantados buscando-se definir a etiologia e a sobrevida dos pacientes que assim precisaram ser conduzidos.

Material: Constituíram-se dois Grupos de Estudo (GE): GE1 , compostos por 11 (68.8%) originários de doadores adultos cadáveres e GE2 por 5 (31,7%) de doadores adultos vivos, sendo 9 (56,2%) do sexo masculino, com idades médias respectivamente de 40.8 e 41.3 anos.

Resultados: Estão expressos na Tabela 1.


Tabela 1 - Aspectos evolutivos dos dois diferentes Grupos de Estudo

Parâmetros Avaliados Doadores Cadáveres (N = 160) Doadores Adultos Vivos (N = 74)
(N)
(%)
(N)
(%)
Trombose de Artéria Hepática
11
6.97
5
6.73
Rejeição Crônica
0
0
1
1.35
Sobrevida
4
36.3
4
80

 
Comentários: Avanço no transplante de fígado se relacionou à evolução da técnica das ressecções hepáticas, melhorias na manipulação dos regimes de drogas imunossupressoras, melhor preservação de órgãos, mais eficaz manuseio no intra e pós-operatório e redução das complicações infecciosas. Permanecem, no entanto, no Brasil a baixa demanda de doador adulto cadáver, levando a que Raia et al , em 1989, propusessem o emprego de doador adulto vivo de fígado. Nesse trabalho avaliamos as causas de re-transplante de fígado nesses dois grupos de doadores comprovando-se o baixo índice de rejeição crônica (6,2%), identificada em apenas um paciente do GE2 (1.35%) e a incidência maior de trombose de artéria hepática que foi semelhante nos dois grupos (6,97% x 6,73%), porém com melhor índice de sobrevida maior naqueles em que o transplante foi realizado, valendo-se doador adulto vivo (36,3% x 80%).

CURVA DE ADESTRAMENTO EM TRANSPLANTE DE FÍGADO DE DOADOR ADULTO VIVE. ANÁLISE DA SOBREVIDA DOS PACIENTES EM TRÊS PERÍODOS. UMA VISÃO DO FILÓSOFO EMANUEL LÉVINAS

 

Silva AO, Copstein JLM, Perón Jr G, Ribeiro Jr MAF, Gonzalez AM, Mancero JMP, Larrea FIS, Cardozo VDS, Rocha BS, Wahle RC, Souza EO, Néspoli PR, D'Albuquerque LAC  

Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: O transplante de fígado representa a melhor opção de tratamento de pacientes, com doença hepática terminal, aguda ou crônica, sem ou com carcinoma hepatocelular. Realização do procedimento no Brasil limita-se pela baixa oferta de fígado órgão cadáver. Isso nos levou a iniciar a partir de 20 de março de 1999, o programa de transplante de fígado valendo-se de doador adulto vivo. Nesse trabalho objetivamos descrever a curva de adestramento com essa modalidade e à sobrevida dos pacientes em 3 períodos.  

Material: Foram assim tratados 70 pacientes 44 (62,8%) do sexo masculino, com idades entre 14 e 65 anos.

Resultados: Estão expressos na Tabela 1.

 

Tabela 1 – Análise da sobrevida de pacientes submetidos a transplante de fígado de doador adulto vivo em três períodos

Períodos
Pacientes
Meses
N
Sobrevida
(%)

20/03/99 a 6/10/03

44

22

9

40,9

20/10/03 a 24/10/05

25

22

17

77,1

27/10/05 a 28/06/06

8

26

23

88,5

 

Comentários: De todas as opções metafísicas, a que opõe vida e morte talvez seja a mais absoluta, a dimensão trágica da existência. Nessa bruta dualidade encontram-se aqueles em lista de espera de transplante de fígado, seres solitários, esfacelados, que perdem a perspectiva de projetos futuros. Mas essa infinita angústia interrompe-se com o ato generoso exercido pelo doador adulto vivo de fígado, trazendo novas perspectivas para aqueles que se encontram em fases avançadas de suas doenças hepáticas. São esses que têm seu desprendimento e sua compaixão expressos naquilo enfatizado pelo filósofo lituano, Emanuel Lévinas: “ eu ouço o chamado do outro e respondo por ele, minha voz se torna a sua, pois o outro é aquele que me demanda a palavra, que me insere a linguagem, com o indivíduo só passando a ser humano ao se completar no próximo ”, tal como acontece com os doadores adultos vivos de fígado. Essa realidade se comprova quando analisados os resultados obtidos com a curva de adestramento, ampliando-se as probabilidades de sobrevida respectivamente de 40.9%, 77,1% e, finalmente, 88,5% nos diferentes períodos desse estudo.


TRANSPLANTE DE FÍGADO VALENDO-SE DE DOADOR ADULTO VIVO EM PACIENTES COM CARCINOMA HEPATOCELULAR PÓS-CIRROSE POR ESTEATO-HEPATITE NÃO ALCOÓLICA

 
Silva AO, Cardozo VDS, Rocha BS, Wahle RC Néspoli PR, Souza EO, Dazzi FL, Ribeiro Jr MAF, Gonzalez AM, D'Albuquerque LAC

  Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: Carcinoma hepatocelular revela-se como uma complicação tardia da obesidade, associada à síndrome metabólica de resistência à insulina, presente em indivíduos não infreqüentemente com hipertensão arterial ou pulmonar, diabetes mellitus, dislipidemia e doença cardiovascular. Paralelamente manifestam tendência a cursarem com cirrose por esteato-hepatite não alcoólica. Tendência nesses pacientes que evoluam com neoplasia primária do fígado, a qual se expressa, em geral, sob forma de nódulos volumosos e com distribuição difusa. Tais aspectos, em geral, fazem com que excedam o critério de indicação de transplante de fígado de Milão. Isso nos tem levado a conduzi-los valendo-se de doador adulto vivo de fígado, buscando resgatá-los, embora recebam um fígado de volume reduzido para pacientes com peso corpóreo excessivo.

Material: Nesse trabalho relatamos 2 casos de pacientes com obesidade mórbida, ambos do sexo masculino, e conduzidos pelo transplante de fígado, valendo-se de doador adulto vivo de fígado (Tabela 1), os primeiros relatados na literatura brasileira.

 

Tabela 1 - Características e evolução pós-transplante de fígado dos pacientes com cirrose e carcinoma hepatocelular por esteato-hepatite não alcoólica

Pacientes
Idade (Anos)
IMC
Comorbidades
Hipertensão Arterial
Diabetes Mellitos
Hipertensão Pulmonar
Síndrome Hepatorrenal
KSS

59

59

+

+

+

+

+

Intra-operatório Falência miocárdica na reperfusão

ART

64

42

+

+

+

+

+

Óbito 15 dias após. Falência múltipla de órgãos

Comentários: Índices de morbi-mortalidade intra e per-operatória estão aumentadas em obesos mórbidos. Esta tendência relaciona-se com a ocorrência concomitante de comorbidades graves, tais como doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, glomerulopatias e função pulmonar restritiva. Essa evolução nefasta é vista, sobretudo naqueles com IMC > 40 kg/m 2 , características presentes nesses pacientes.

TRANSPLANTE DE FÍGADO DE PACIENTES COM DOENÇAS AUTOIMUNES

 

Silva AO, Cardozo VDS, Rocha BS, Wahle RC, Néspoli PR, Souza EO, Dazzi FL, Pereira FF, Goulart FS, Ribeiro CMF, Mancero JMP,Larrea FIS, Perón Jr G, Ribeiro Jr MAF, Copstein JLM, D'Albuquerque LAC

  Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: Evolução para doença hepática terminal em pacientes com doença auto-imune, traduz-se por icterícia e prurido progressivos, osteopenia ou osteoporose, hipertensão portal expressa por surtos repetidos de hemorragia digestiva alta, ascite refratária, síndrome hepatorrenal, peritonite bacteriana espontânea e até carcinoma hepatocelular. Nessas fases, evoluindo com tais compilações, têm indicação de serem conduzidos pelo transplante de fígado.

Material: Desde início dos transplantes de fígado em 11.08.93, foram acompanhados 118 pacientes com doenças auto-imunes. Desses, 47 (35,5%) com cirrose auto-imune, 42 (34,7%) com cirrose biliar primária e 39 (33,0%) com colangite esclerosante primária.

Resultados: Desses, 34 (26,5%) foram conduzidos pelo transplante de fígado sendo 10 (29,4%) por colangite esclerosante primária, 11 (32,3%) por cirrose auto-imune e 13(39,3%) por cirrose biliar primária (Tabela 1).

 

Tabela 1 - Características e evolução dos pacientes

Doenças Autoimunes
N
%
Sexo Feminino
Idade Média (anos)
Sobrevida
N
%
N
%

Colangite Esclerosante Primária

10

29,4

6

60,0

38,6

7

70

Cirrose Autoimune

11

32,3

8

61,5

38,2

9

81,8

Cirrose Biliar Primária

13

39,3

12

92,3

46,2

10

76,8

Comentários: A importância desse relato prende-se ao fato de que entre 211 cirróticos submetidos ao transplante de fígado, 34 (15,9%) o foram por doença autoimune, realizado em pacientes com idade média mais baixa, onde predomina o sexo feminino a qual assim conduzida tem chance de retorno à boa qualidade de vida. Promove-se assim interrupção dos sintomas e sinais típicos dessas doenças, que em fases avançadas levam a repercussões corpóreas graves em doenças de prevalência baixa no Brasil.

TRANSPLANTE DE FÍGADO VALENDO-SE DE DOADOR VIVO DE LOBO DIREITO EM PACIENTES OBESO-MÓRBIDOS QUE EVOLUÍRAM COM INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA FULMINANTE PÓS-CIRURGIA BARIÁTRICA

  Silva AO, Venço F, Cardozo VDS, Rocha BS, Wahle RC, Néspoli PR, Souza EO, Goulart FS, Dazzi FL, Vasconcelos AB, Mancero JMP,Larrea FIS, Perón Jr G, Ribeiro Jr MAF, Copstein JLM, D'Albuquerque LAC

  Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: Desvio jejuno-ileal pode induzir em obesos mórbidos o aparecimento de insuficiência hepática fulminante irreversível, exigência para realização de transplante de fígado com limitados índices de recuperação.

Material: Nesse trabalho relatamos dois casos de pacientes mulheres respectivamente com 31 e 34 anos de idade, conduzidas pela cirurgia de Scopinaro com IMC de 42 e 63kg/m 2 , com perdas corpóreas respectivamente de 30 e 93kg, ambas cursando com insuficiência hepática fulminante em 4 meses de pós-operatório.

Resultados: Aspectos histológicos, conduta diante da cirurgia bariátrica e evolução pós-transplante de fígado encontram-se expressos na Tabela 1.

 

Tabela 1 - Aspectos histológicos, conduta diante da cirurgia bariátrica e evolução pós-transplante.

Pacientes

Aspectos histológicos

Conduta diante da cirurgia bariátrica

Evolução pós-transplante de fígado

CV

Necrose hepatica maciça com colapso difuso do arcabouço reticulínio, aproximação de estruturas vasculares, metaplasia ductular reparativa generalizada e múltipla aglomerados de hepatócitos remanescentes com intensa tumefação citoplasmática. Colestase intracelular canalicular difusa

Preservada

Óbito em 30 dias

GC

Cirrose irregular intensamente ativa, densidade inflamatória septal 4, atividade periseptal 3, parenquimatosa 1, esteato-hepatite grau II e siderose grau III

Desfeita

Viva

Comentários: Desvio jejuno intestinal se revela como técnica de cirurgia bariátrica efetiva na indução de perda de peso. Tem o inconveniente de associar-se ao desenvolvimento de complicações graves, tais como supercrescimento bacteriano em segmento de intestino delgado desviado resultando em produção aumentada de endotoxinas. Quando cursam com mobilização maciça dessas moléculas, além de outras como TNF a , interleucinas 1 e 6, fibrinogênio e proteína C reativa liberadas a partir da gordura intraperitoneal, a qual funciona como órgão endócrino, desenvolvem necrose hepatocelular extensa, com falência funcional do parênquima, levando a que sejam conduzidos pelo transplante de fígado. No caso específico desse tipo de cirurgia bariátrica, torna-se recomendável desfazer-se a anastomose cirurgicamente construída, impedindo que associadamente ocorra precária absorção dos imunossupressores, com risco maior de rejeição ao órgão transplantado.

TRANSPLANTE DE FÍGADO EM NEOPLASIAS DE BAIXA PREVALÊNCIA VALENDO-SE DE DOADORES ADULTOS VIVOS

 
Silva AO, Venço F, Ribeiro CMF, Larrea FIS, Mancero JMP, Ribeiro Jr MAF, Perón Jr G, Copstein JLM, Domingos GPS, Cardozo VDS, Rocha BS, Wahle RC, Néspoli PR, Souza EO, Dazzi FL, Goulart FS, Vasconcelos AB,Gonzalez AM, D'Albuquerque LAC

  Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: Nos programas de transplante de fígado envolvendo neoplasias, predomina o carcinoma hepatocelular, obedecendo sempre o critério de Milão. Formas mais raras, de baixa prevalência, habitualmente não costumam ser conduzidos por essa forma de terapêutica, uma vez que não existem critérios clínicos bem definidos quanto ao momento de ressecção ou o benefício do transplante de fígado.

Material: Nesse trabalho incluímos 3 desses pacientes, sendo 2 (66.6%) do sexo feminino e 1 (33.4%) do masculino, com as mesmas idades. Características de suas evoluções pós-transplante de fígado, valendo-se de doador adulto vivo, estão expostas na Tabela 1.

 

Tabela 1 – Características e evolução pós-transplante de fígado em carcinomas de baixa prevalência, valendo-se de doador adulto vivo.

Pacientes

Sexo

Idade (Anos)

Tipo Histológico

Evolução Pós-transplante de fígado

MCAB

Feminino

38

Hemangioendotelioma Epitelioide

Óbito após 15 meses

RDS

Masculino

38

GIST

Vivo há 8 meses Livre de neoplasia

RCG

Feminino

38

Neuroendócrino

Vivo há 60 dias Livre de neoplasia

Comentários: Diagnósticos desses carcinomas foram estabelecidos no período pré-operatório, através de biópsia hepática. Em todos, a principal indicação para o transplante de fígado foi a existência de tumor volumoso, multinodular, não passível de ressecção, sem invasão vascular ou doença extra-hepática. A urgência na realização da terapêutica nos levou a conduzi-los, valendo-se de doador adulto vivo de fígado, todos recebendo alta hospitalar entre 7 a 10 dias de pós-operatório.

ESTEATOSE HEPÁTICA EM DOADORES ADULTOS VIVOS DE FÍGADO QUE APRESENTAVAM IMC > 30 kg/m 2

Silva AO, Vasconcelos AB, Dazzi FL, Goulart FS, Wahle RC, Néspoli PR, Souza EO, Cardozo VDS, Rocha BS, Ribeiro CMF, D'Albuquerque LAC

  Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: No nosso Serviço, independente do aspecto do fígado ao ultra-som, todos aqueles potenciais doadores adultos vivos de fígado com IMC > 30 kg/m 2 , são submetidos à biópsia hepática. Expressão histológica desses pacientes, sobretudo na busca de doença hepática não alcoólica, revela-se a nossa preocupação neste trabalho.  

Material: Composto por 23 doadores adultos vivos de fígado que foram separados em 2 Grupos de Estudo (GE): GE1 constituído de 10 (43,5%) com comorbidades associadas, tais como diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia, sendo 7 (70%) homens e 3 (30%) mulheres, com idade média de 34,9 anos e; GE2 composto por 13 (56,5%) doadores, sem comorbidades associadas, sendo 7 (53,8%) homens e 6 (46,2%) mulheres, com idade média de 32,8 anos.

Resultado: Encontram-se expressos na Tabela 1.  

Tabela 1 - Aspectos histológicos do fígado em DVAF

 
Grupo de Estudo 1
Grupo de Estudo 2

Histologia normal

0

7 (53,8%)

Esteatose hepática leve (< 20% dos hepatócitos)

8 (80%)

2 (15,4%)

Esteatose hepática moderada (20-30% dos hepatócitos)

0

2 (15,4%)

Fígado reacional

2 (20%)

2 (15,4%)

Comentários: O desafio na utilização de doadores adultos vivos de fígado é expandir o pool de doadores do transplante de fígado, sem comprometer a sua segurança e do receptor. Nossos resultados comprovam que a incidência maior de lesão hepatocelular verificou-se no grupo com comorbidades, traduzida no encontro de esteatose hepática (80% x 15,4%) predominando no Grupo de Estudo 2, com comorbidades. Em nenhum deles, as presenças de esteato-hepatite não alcoólica, fibrose ou cirrose, foram identificadas, nos levando a definir que pacientes com esse IMC sejam privados da realização de biópsia hepática.


FATORES PREDITIVOS DE INVASÃO ANGIOLINFÁTICA MICROSCÓPICA EM FÍGADO EXPLANTADO DE PACIENTES CIRRÓTICOS PORTADORES DE CARCINOMA HEPATOCELULAR SUBMETIDOS A TRANSPLANTE DE FÍGADO  

Silva AO, Wahle RC, Néspoli PR, Cardozo VDS, Rocha BS, Dazzi FL, Ribeiro CMF, D´Albuquerque LAC

Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: O carcinoma hepatocelular é um tumor maligno com elevada morbi-mortalidade , sobretudo quando instalado em cirróticos. O transplante de fígado mostra-se para esses pacientes, o tratamento ideal devendo ser realizado naqueles em que não exista disseminação extra-hepática macroscópica. Nesse trabalho objetivou-se definir fatores preditivos voltados à invasão angiolinfática microscópica identificada nos fígados explantados.

Casuística e Métodos: Composto de 30 transplantados por carcinoma hepatocelular entre dezembro de 1993 e junho de 2006. Foram divididos em dois Grupos de Estudo conforme a presença (GE1) composta de 11 pacientes, sendo 10 masculinos (90,9%), com média de idade de 53,8 ± 7,2 anos; e GE2 sem invasão angiolinfática microscópica, composto de 19 pacientes, sendo 16 masculinos (84,3%), com média de idade de 53,4 ± 7,2 anos.  

Resultados: Na análise univariada os níveis séricos elevados de alfafetoproteína, transaminases e gamaglutamiltransferase, número de nódulos, grau de diferenciação e tamanho tumoral, não apresentaram associação significativa com a invasão angiolinfática microscópica, sendo que essa foi atingida (p < 0,05) naqueles com tumor bilobar. Na análise multivariada com regressão logística, comprovou-se que aqueles com tumor bilobar têm 5,8 vezes (IC a 95%: 1,1; 29,8) mais chances de invasão angiolinfática microscópica do que os que apresentam tumor unilobar.

Conclusão: O transplante de fígado é uma terapia segura para o carcinoma hepatocelular em cirróticos, mas a identificação de fatores preditivos de invasão angiolinfática microscópica, tal como a presença de tumor bilobar, é fator crucial para a seleção adequada de pacientes visando menor índice de recidiva tumoral e maior sobrevida dos pacientes.


TERAPÊUTICAS AUXILIARES COMO QUIMIOEMBOLIZAÇÃO, HEPATECTOMIA OU IMPLANTE DO TIPS, UTILIZADAS COMO PONTE PARA O TRANSPLANTE DE FÍGADO EM CIRRÓTICOS PORTADORES DE CARCINOMA HEPATOCELULAR
 

Silva AO, Wahle RC, Néspoli PR, Cardozo VDS, Rocha BS, Dazzi FL, Souza EO, D´Albuquerque LAC  

Centro Terapêutico Especializado em Fígado (CETEFI), Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil.

Introdução: O carcinoma hepatocelular gera elevada mortalidade. Trata-se de neoplasia que surge geralmente em fígados cirróticos , para o qual o transplante de fígado tem sido o tratamento de escolha, valendo-se de doador cadáver ou adulto vivo. Tal procedimento pode ser precedido do emprego de terapêuticas auxiliares, usadas como ponte, sendo esse nosso objetivo em avaliar seu uso nesses pacientes submetidos a transplante de fígado, buscando entender de que forma se comportam tais pacientes no pós-operatório imediato (menos de 30 dias) ou mais tardiamente (entre 6 a 12 meses) do evento cirúrgico.

Casuística: Composto de 30 pacientes submetidos entre dezembro de 1993 a junho de 2006, a transplante de fígado para tratamento de carcinoma hepatocelular.

Resultados: Desses, 17 (56,7%) foram submetidos a terapêuticas auxiliares no período pré-transplante, sendo que 13 (76,4%) realizaram quimioembolização, 2 (11,8%) submeteram-se a hepatectomia, e 2 (11,8%) implantaram o TIPS devido a ascite refratária e hemorragia digestiva alta. A média de idade foi de 54,8 anos, todos do sexo masculino, e a infecção pelo vírus da hepatite C ocorreu em 12 (70,6%). Desses, 5 (29,4%) eram Child A, 7 (41,2%) Child B e 5 (29,4%) Child C. O escore médio do MELD foi 16, com extremos entre 7 e 31, e em 3 (17,6%) ultrapassava 19. Havia a presença de nódulo único em 7 (41,2%) e diâmetro tumoral além de 5cm em 6 (35,3%). Desses, 4 (23,5%) faleceram no pós-operatório imediato (menos de 30dias), 1 (5,9%) em torno de 6 meses, enquanto 12 (70,6%) permanecem vivos, com a sobrevida de 1 ano sendo de 83,3%, livres de doença, com recidiva tumoral sendo identificada em apenas 1 deles (6,2%).

Conclusão: O uso de terapêuticas auxiliares em carcinoma hepatocelular pode, portanto, ser considerado alternativa ponte, pois se mostram seguras e contribuem para que lhes seja oferecida uma chance maior de sobrevida até a realização do transplante de fígado .